O que eu achei: 50 Tons de Cinza




O longa não me agradou ao todo, isso é verdade. Quando os burburinhos  da tão aguardada produção cinematográfica dos sucessos dos livros de 50 Tons tomaram conta da internet, confesso que não senti emoção ou sentimento do gênero. Em meados de 2013 peguei para ler o primeiro livro da trilogia, mas não ultrapassei o sétimo capítulo. A leitura não fluía bem e com outras metas literárias para cumprir, não insisti na história. Assisti o filme sem expectativa alguma e de fato obtive uma surpresa boa.
{Quando Anastasia Steele, uma estudante de literatura, vai entrevistar o rico Christian Grey, como um favor a sua colega de quarto Kate Kavanagh, ela encontra um belo, brilhante e intimidador homem. A inocente e ingênua Ana fica surpresa ao perceber seu desejo por ele, apesar de sua reserva enigmática e aconselhamento, ela encontra-se desesperada para chegar perto dele. Não sendo capaz de resistir à beleza de Ana e seu espírito independente, Christian Grey admite que ele também a quer, mas em seus próprios termos. Ana hesita quando ela descobre os sabores singulares de Christian Grey, apesar dos enfeites de sucesso – suas empresas multinacionais, a sua vasta riqueza, sua família amorosa – Grey é consumido pela necessidade de controlar tudo. À medida que Ana se aproxima, começa a descobrir os segredos de Christian Grey e explora os seus próprios desejos.

Toda polêmica que gira em torno da eroticidade e do sadomasoquismo presentes na história podem ser disfarçados com a ironia implantada em algumas cenas, que deixa o clima mais leve as vezes e dá tons rasos e divertidos aos personagens. Mas ao mesmo tempo em que isso é feito, certa plasticidade é construída e deixa certos momentos artificiais e sendo sustentados somente pelo prazer diferenciado do Sr. Grey.
 
Miss Steele é uma das minhas partes favoritas do longa. Tanto em torno da construção da personagem, quanto a escolha da atriz, Dakota Johnson. Ao ler um pouco do livro me lembro que o que me chamava atenção era sua descrição e sua visão delicada, que ao mesmo tempo perspicaz, de lidar com as situações que a rodeavam. Com atitudes as vezes bobas e simples, meros intuitos de inocência capturam os momentos de romance presentes no filme, tão almejados por Ana e por mim, que não acreditei quando me disseram  que o filme não possuía nada além de sexo e diálogos frágeis. Um tanto confusa, Anastasia consegue ser mais segura possível, para uma mulher que nunca tinha tido até então uma relação sexual. Segurança que também é bem observada na atriz, que passa boa parte do filme sem roupa, deixando bem a mostra seu corpo, quebrando tabus e interpretando bem a personagem recusada por alguns nomes, como Felicity Jones (A Teoria de Tudo) e Shailene Woodley (Divergente), devido a nudez a ser explorada e conflitos de agenda.
 
Já o queridinho Christian Grey não me convence muito. Depois de toda frieza e pertubação  do cara, confesso que em alguns momentos do longa, algumas barrerias que rodeiam ele, são quebradas por Ana e também por nós, telespectadores, assim podendo haver mais conexão com o personagem. No decorrer do enredo, é esclarecido a origem do interesse pela relação dominador x submissa de Grey, mostrando que também há uma relação ato no passado x consequência no futuro. No entanto, perde para Anastasia tanto em carisma quanto constituição do personagem, mesmo sendo a fonte/origem de toda trama. Jamie Dornan, que apesar de não ser o favorito de muitos para desempenhar o papel, consegue transmitir bem a essência do misterioso bilionário.
 
A química entre os atores me irritava nos trailer e posteres anteriormente divulgados, por apenas um motivo: não existia! Não conseguia correlacionar Grey com Steele, me precipitando no caso, pois isso muda com o filme. Em uma excelente sincronização, Darkota e Jamie provam que mereciam seus papeis, mostrando desenvoltura durante as falas, nos olhares e principalmente em toda pegação. Com cenas provocantes, muitas estão sendas apontadas como incentivadores de violência a mulher, e estão sendo exibidas para uma sociedade que ainda não sabe se comportar. Claro que não pude deixar de associar tal fato ao filme, mas não acredito ser provocador de tal crime. Minha cena favorita é a reunião de negócios entre ambos, na empresa de Grey, para discutir os termos do tal contrato, que conta com a iluminação avermelhada, extremamente perfeita para dar o tom sensual que a cena exigia.
 
A trilha sonora do longa é o mais sexy possível, sempre com um tom obscuro e ao mesmo tempo singelo. Com 16 músicas, encontramos sucessos de Beyoncé, Rolling Stones e Frank Sinatra, e claro a apresentação de canções inéditas, como The Weeknd, Sia, Ellie Goulding, Jessie Ware e Skylar Grey. Minhas favoritas:

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A trilha sonora realmente sedutora e apaixonante, casa-se bem com o longa e é responsável por boa parte da empolgação em algumas cenas, dando novos tons e despertando o interesse de quem assiste. O filme no todo não é ruim, mas poderia ser melhor, é claro.  Como não coloquei expectativa nenhuma sobre ele, saí do cinema com uma surpresa boa, que pode ser vista por muitos como cenas fortes com diálogo fraco, é vista por mim longe de uma obra de arte, mas algo singelo e divertido.

 
 
 
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4 comentários em “O que eu achei: 50 Tons de Cinza

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  1. “…é vista por mim longe de uma obra de arte, mas algo singelo e divertido”. Faço das suas palavras as minhas, foi a mesma ideia que eu tive do filme. Julguei tanto o filme/livro anteriormente mas agora que fui conferir ele, achei incrível e não pela história em si, mas pelos personagens interpretados pelos atores e o melhor de tudo, a produção do filme quanto as cenas ficou sinceramente impecável.

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  2. Simmm, sabe se você não tentar focar na eroticidade (claro que é o que sustenta o filme, mas não o constitui todo) e na polêmica que rodeia ele, bons momentos você capta da história. A construção dos personagens, a interpretação e coragem dos atores é extremamente destacável. O filme não é perfeito, mas é moldado de forma sólida e é fácil se pegar torcendo para que Christian deixe de bobagem e encare um relacionamento “de verdade” com a Ana.

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