A mulher por trás da Prada


Ao mesmo tempo possuindo PHD em Ciência Política, a estilista italiana Miuccia Prada é responsável por coordenar uma das marcas mais famosas de todos os tempos. Fashion designer, curadora de arte, produtora de filmes, aspirante a arquiteta, socialista ultrapassada e com um pé no feminismo, Miuccia representa o conflito do antigo com o novo, sendo um dos pilares mais importantes que sustentam a moda moderna.

Herdeira do império criado por seu avô, Mario Prada, a primeira loja da marca foi inaugurada em 1913 em Milão, localizada em uma passarela de vidro e mármore chamada Galleria Vittorio Emanuele III. Mario concentrava seus itens no couro em 1927 teve seu ápice e foi reconhecido por fabricar uma carteira com pele de sapo e prata. Quando ele morreu, sua filha assumiu a marca e trouxe consigo sua filha mais nova, Miuccia, que com o tempo foi apelidada de Miu Miu.
Em 1978, ela adentrou aos negócios da família e desenhou a mochila de náilon preto que mais tarde viria a conquistar o mundo. Na época ela conheceu seu então marido e parceiro de negócios, Patrizio Bertelli, que com ela transformaram a coleção excêntrica de artigos de luxo em uma energia contínua de desing, inspiração e inovação que abalaria por tempos a industria da moda.
 
A Senhora Prada consolidou-se em 1993 ao levar o Prêmio Internacional do Conselho de Estilistas de Moda da América. No ano seguinte, Miu Miu já possuía suas coleções na semana de moda de New York e Londres e já havia marcado presença na de Milão. O sucesso foi ascendente e desde então não há dúvidas do fenômeno que a marca se tornaria e tão grandes proporções em massa alcançaria. Seu marido, cuida da parte comercial de produtos e estratégia de varejo da Prada e junto dele, se tornaram co-CEO da marca.
 
”Quando comecei, a moda era o pior lugar para estar se você fosse uma feminista de esquerda. Era horrível. Tinha preconceito, sim, e sempre tive um problema com isso. “Acho que me sentia culpada por não estar fazendo algo mais importante, mais político. Então, de algum jeito, estou tentando usar a companhia para outras atividades.Estou tentando descobrir que imagens da mulher quero analisar. Não estou realmente interessada em roupas ou estilo”,afirma Miu Miu. Ao contrário de muitas linhas que procuram sempre destacar o que é novo, Prada sem si é a tendência da vez por muitos anos, fazendo com que o mercado fashion muitas vezes gire em torno da própria. Indo muito afundo da sua visão do que uma mulher pode ser, Miuccia transmite toda sua paixão e ideologias em suas coleções, revelando seu instinto brilhante do que é ser um estilista moderno, com capacidade de ser renovar conforme for preciso. 
Ela se preocupa com questionamentos maiores e usa a moda como instrumento para obtenção de respostas para isso. “A indústria da idade é um drama muito maior para as mulheres, e eu de verdade acho que nós deveríamos encontrar uma solução. Especialmente porque estamos vivendo muito mais tempo. Antes, as mulheres costumavam ter apenas uma vida, um marido. Agora, você pode ter duas ou três vidas. Até mesmo o conceito de família está mudando. Eu acho que essa questão de idade vai definir a sociedade do futuro”, afirma a estilista que considera a obessão com a juventude ambientada em nossa sociedade, como uma forma de histeria em massa.
 

Miuccia possuí coragem e inova sem medo algum. “No início da minha carreira, tentei ouvir os outros e isso foi errado. Tenho que fazer o que acho certo. Nos anos 1990, eu era considerada pequena porque estava escondendo a mim mesma e minhas ideias.” A estilista é responsável pelo figurino das atriz de um dos meus filmes favoritos, O Grande Gatsby, sendo a referência perfeita para os romances,sonhos e riquezas contradizidas na obra de Fitzgerald. Assim como Prada, Miu Miu representa a busca pelo novo e o anseio pela sinceridade consigo mesmo. A paixão que ela possuí por sua vida e seu trabalho se uniram, e trasformaram-se em uma coisa só, seu legado. Por mais pessoas como ela, que sempre procuram pela próxima ideia e facilmente conseguem utilizar sua visão como forma de expressão, mas nunca passando por cima do que se realmente acredita. 

No mês passado, Miu Miu, a linha feminina de roupas e acessórios da marca Prada, lançou mais um curta-metragem da série ”Women’s Tales”, sobre o universo feminino realizado e protagonizado por mulheres. A mais recente é a “De Djess”, realizado por Alice Rohrwacher, uma jovem cineasta premiada em Cannes, lançado paralelamente à semana de moda de Nova York, e conta a história de um vestido que possui vida própria.

 

 

 

“Precisa ser verdadeiro para você e, então, pode fazer sucesso”.

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